Pesquisar a qualidade do ar em interiores tornou-se um tema
de pesquisa importante na área de saúde pública. Atualmente, muitos trabalhos
mostram que as baixas taxas de troca de ar nestes ambientes ocasionam um
aumento considerável na concentração de poluentes químicos e biológicos no ar.
Como todos nós passamos boa parte de nossa vida diária em recintos fechados, a
preocupação com concentrações de contaminantes no ar nestes ambientes é
justificável.
Segundo Neil Klepeis et
al (2001), em média, 87% do dia é passado em ambientes fechados (69% em
residências) e 6% é passado em veículos fechados, sendo apenas 7% passado ao ar
livre (pesquisa entre americanos – Conforme demonstrado no gráfico abaixo). Como a maior parte do ar
inalado é ar contido nesses ambientes, a exposição aos poluentes aí contidos
constitui a maior parte da exposição à poluição.
Pela razão de vivermos em uma região de clima temperado
(IBGE), a diferença climática acarreta uma variação considerável na dinâmica
atmosférica em ambientes internos e externos. A Organização Mundial da Saúde
(OMS) considera a poluição do ar um dos principais problemas de saúde
ambiental. Ela é associada ao aumento no número de consultas, internações e
mortalidade por doenças respiratórias. Estimativas mostram que, globalmente,
4-8% das mortes prematuras são devidas à exposição de material particulado (esporos
de mofo, amianto, fibras sintéticas, restos de inseto e de comida, pólen,
aerossóis de produtos como desodorantes e fixador de cabelos, etc.) e que
20-30% de todas as doenças respiratórias devem ser causadas pela poluição. E a
poluição em ambientes fechados tem grande relevância para nós, devido ao maior
tempo de permanência do homem em ambientes fechados, o que na verdade, vem já
de antigamente: dados arqueológicos evidenciam que os primeiros humanos
utilizavam o fogo em ambientes fechados.
Sabemos que o nosso corpo necessita de ar para o seu
funcionamento. Seu metabolismo (reações químicas que ocorrem no organismo)
depende do uso do oxigênio, captado pelo sistema respiratório, e dos
nutrientes, degradados no sistema digestivo, para prover a energia necessária
para energizar as atividades celulares. Entretanto, o ar que o nosso sistema
respiratório capta não é composto apenas por oxigênio, há vários outros
elementos. E alguns desses elementos podem causar danos à nossa saúde, aos
materiais, à fauna e à flora, os classificados como poluentes.
Estudamos a qualidade do ar com intuito de formar conclusões
mais concretas sobre este tema, já que no Brasil não existe nenhuma medida
conhecida que avalie esta exposição com as devidas ponderações.
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Fonte: www.teleios.com.br |
Alergia
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Fonte: www.umadicapordia.com.br |
Asma
É causada por uma reação alérgica ou por infecção das vias
respiratórias. É uma inflamação do pulmão e das vias aéreas, que congestiona os
brônquios e impede a entrada do ar aos pulmões. A falta de ar e o chiado –
aquele barulho de “gatinho” ao respirar, são os primeiros sintomas. Se
não tratada, pode causar enfisema pulmonar.
Ocorre quando os brônquios ficam inflamados e o ar não
consegue chegar aos pulmões. Daí vem o catarro e a tosse seca com chiado. Se
não for tratada, a tosse se agrava, aparecem escarros e a bronquite pode
progredir para uma pneumonia. Uma forte fadiga, mal-estar geral e febre também
podem ocorrer. Alergias, irritações pela fumaça ou fumo, podem causar a
bronquite. Quem está com bronquite (Figura 04) não deve fumar ou ficar em
locais fechados ou poluídos.
Muito contagiosa, é causada pelo vírus influenza, transmitido
pelo ar por meio de gotículas de saliva. Ataca o nariz, a garganta e os
pulmões. Se não tratada corretamente pode virar pneumonia ou meningite. Seus
sintomas: febre alta, dores musculares e nas articulações, calafrios, dores de
cabeça e inflamação dos olhos.
Rinite
Não-contagiosa, é uma inflamação no nariz, que aparece de
tempos em tempos devido a alguma alergia. Reação alérgica a pó, cigarro e
reações a medicamentos causam rinite. Mofo, fumaça, tinta fresca pioram os
sintomas.
Sinusite
A sinusite é uma inflamação não-contagiosa que ataca a
parte interna dos seios da face e deixa o nariz congestionado, provoca dor de
cabeça, tontura, febre, inchaço nas pálpebras e mal-estar.
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Fonte: www.noticiaki.com |
As doenças, alergias e infecções citadas anteriormente, além
de disseminarem-se mais facilmente em ambientes fechados ou com ventilação
reduzida, também surgem mais precisamente na época do inverno. Isso ocorre
porque é nesse período que o ar se torna mais seco e frio, há um aumento na
aglomeração de pessoas, que normalmente costumam ficar mais próximas em
ambientes fechados, e a poluição se intensifica. Isso possibilita que vírus e
bactérias se espalhem com mais facilidade.
Segundo a infectologista Danielle Borges Maciel, é o ambiente
perfeito para os vírus se proliferarem:
“Os vírus
respiratórios que causam as infecções, em particular o vírus influenza (gripe),
sobrevivem por um tempo maior em temperaturas mais baixas, por isso gripe é
doença de inverno”, afirma.
“As pessoas
nessa época do ano passam mais tempo dentro de casa, com as janelas fechadas, e
quando resolvem sair para passear, ao invés de ir a um parque, escolhem o
shopping. Esse aglomerado de gente em lugares fechados acaba facilitando a propagação
de bactérias e vírus, aumentando o número de infectados.” Explica a doutora
Marina Buarque de Almeida, diretora do Departamento de Pediatria da Sociedade
Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT).
Segundo o
pneumologista do Hospital do Coração, de São Paulo, Dr. Carlos Carvalho, na
época do inverno os hospitais e clínicas da cidade registram um aumento de 30 a
40% no atendimento à pacientes com doenças respiratórias. E que as crianças e
os idosos são os que mais procuram um especialista.
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